Prêmio Finep vai para projeto de diagnóstico de Alzheimer pelos olhos; projeto busca antecipar o risco da doença com exame não invasivo

Diagnóstico de doença de Alzheimer por exame dos olhos
Tecnologia nacional amplia possibilidades de identificar sinais iniciais de doenças degenerativas usando exame não invasivo e equipamento acessível - Imagem ilustrativa Freepik.com

Com participação do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular, iniciativa integra especialistas de várias áreas e avança em tecnologia para diagnóstico precoce de doenças degenerativas


Um projeto de cientistas mineiros foi um dos grandes vencedores da cerimônia de entrega dos troféus da etapa nacional do Prêmio Finep de Inovação 2025. Na categoria “Infraestrutura de P&D em ICTs”. A entrega dos troféus ocorreu no Palácio do Itamaraty, em meados de março. 

O prêmio, na categoria “Infraestrutura de P&D em ICTs”, foi entregue ao líder da pesquisa, professor associado do Departamento de Física UFMG Luiz Gustavo Cançado. Ele também é diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig. A proposta é usar um aparelho usado para exames oculares, o oftalmoscópio, para o diagnóstico precoce da Doença de Alzheimer.

A iniciativa tem participação do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela se conecta também a redes de pesquisa como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurotecnologia Responsável (INCT NeuroTec-R).

O projeto 

A proposta envolve o desenvolvimento de protocolos médicos para uso do equipamento na detecção de alterações na retina. Essa região do olho, responsável pela formação de imagens, também atua como uma extensão do sistema nervoso central.

Atualmente, o diagnóstico da Doença de Alzheimer é predominantemente clínico. Em muitos casos, depende de testes de biomarcadores que são invasivos e de alto custo. No entanto, na última década, pesquisas avançaram compreensão do “olho como ferramenta de diagnóstico para a doença de Alzheimer”. 

Se tudo se confirmar, o diagnóstico antes do surgimento de sintomas clínicos mais evidentes deixaria de depender exclusivamente de exames complexos. E, assim, passaria a considerar métodos mais acessíveis e escaláveis. 

Formação de profissionais e impacto social

“Temos trabalhado com diferentes abordagens, incluindo o uso de PET CT, para aprimorar a detecção precoce de doenças neurodegenerativas e ampliar as possibilidades de intervenção clínica”, afirma o professor Marco Aurélio Romano-Silva, coordenador do Centro de Tecnologia em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG e do INCT NeuroTec-R.

Além disso, a iniciativa dialoga com o conceito de Pesquisa e Inovação Responsáveis (PIR), adotado pelo Centro. O PIR propõe alinhar o desenvolvimento científico às demandas reais da sociedade, com máxima atenção aos aspectos éticos e aos impactos públicos. Neurotecnologias exigem cuidados éticos, valores e crenças internacionais

Ao integrar pesquisa, desenvolvimento e aplicação, a iniciativa cria, ainda, um ambiente que também contribui para a formação de profissionais qualificados. 

Reconhecimento nacional da inovação

O prêmio, por sua vez, é organizado pela Finep, que é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Foram selecionados 40 projetos finalistas, de diferentes regiões do país. Foram cinco etapas regionais, realizadas entre setembro e novembro de 2025. Ao todo, 116 iniciativas receberam prêmios nas fases regionais.

Segundo a Finep, a premiação, que retornou depois de uma década, tem o objetivo de destacar iniciativas em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Brasil. Como inteligência artificial, agroindústria sustentável, bioeconomia, saúde, defesa nacional, transformação digital, infraestrutura, Deep Techs, pesquisa e desenvolvimento, com foco em impacto científico e tecnológico.

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Texto: Marcus Vinicius dos Santos – jornalista CTMM Medicina UFMG